
19 de Novembro, 21h30. Cerca de 660 pessoas esperavam ansiosamente o início do concerto. A música de fundo era I Want to Break Free, dos grandes Queen.
Subitamente, a sala começa a ficar mais escura... e uma voz substitu a de Freddie Mercury. Começava o concerto do não "menos grande" David Fonseca.
Para este espectáculo as expectativas já eram mais altas; afinal, já tive a experiência de ver um concerto de David Fonseca, em que fiquei rendida sobre todos os aspectos: à musica, à comunicação com o público, a todo o ambiente do concerto.
Não vim para casa desapontada: David Fonseca é David Fonseca, e consegue sempre montar um espectáculo surpreendente, inesperado e muito, muito bom.
No início, no entanto, estava um pouco "chochinho", o Sr. David. Não na energia que pôs nas músicas, mas no contacto com o público: esteve mais caladito que o normal. Passadas umas poucas músicas tudo animou, e vieram as piadas e as interpretações sempre tão orignais de músicas completamente parvas. Houve tempo para tudo; desde George Michael a Cindy Lauper, passando pelos Rock Master Scott & the Dynamic Three. (Ter uma sala inteira a cantar "Let the motherfucker burn! Burn motherfucker! é uma coisa extremamente poderosa, acreditem). Ficámos ainda a conhecer a odisseia de David na inspecção automóvel e do senhor que lhe perguntou Então, não trouxe as bailarinas?
O ambiente do concerto, em termos visuais, foi coomo sempre muito bem pensado e inovador. Cada espectáculo de David Fonseca é não só para ser ouvido mas também para ser visto, um aspecto complementando o outro.
Quanto às músicas escolhidas, tiveram lugar 9 canções do novo disco (ficando de fora There's Nothing Wrong With Us e Little Things II) e alguns "velhos" êxitos, como Kiss Me, Oh Kiss Me, Superstars, The 80's, Someone That Cannot Love e , dos Silence 4 , Angel Song e Eu Não Sei Dizer, entre outras.
Balanço final: estou a ficar seriamente viciada nos concertos deste senhor. Apetece-me ver outro: já, amanhã, para a semana! Se tiverem oportunidade, vão e vejam um dos espectáculos dele. Acreditem: é do dinheirinho mas bem gasto de toda a minha vida.

Mas é que é mesmo completamente.
(imagem daqui)
A paranóia com a gripe A anda a atingir proporções uma bocadinho exageradas.
Como acontece em todas as escolas deste país (suponho eu), a Secundária de Estarreja tem uma divisão especial para onde se mandam as criancinhas suspeitas de estarem infectadas com o H1N1. É a chamada sala de isolamento, que se parece mais ou menos com uma arrecadação. (E pensando bem, é capaz de ter sido, até este ano, isso mesmo). Uma coisa estreitinha - um cubículo, vá. Já não basta uma pessoa estar toda ranhosa, cheia de febre e com uma funcionária a obrigar-nos à força toda a pôr a máscara, ainda tem que se ir enfiar numa divisão com menos oxigénio disponível que um elevador.
Mas pronto, o Ministério da Saúde manda, tem que se fazer.
Hoje estava eu a ir para a aula descansadinha, quando começo a ouvir mais barulho do que é normal no piso superior do bloco. Era nada mais nada menos que um professor a gritar com um aluno, no que me pareceu uma tentativa de o mandar para a sala de isolamento; ao que parece, a alminha estava com febre, mas lá fez o sacrifício de ir às aulas na mesma.
Ora bem, a mim, que entre Outubro e Fevereiro passados devo ter apanhado umas cinco gripes (juro, sem exagero), a cena fez-me um bocadinho de confusão. Durante o último Inverno, de tempos a tempos lá andava eu a morrer, com cara de quem estava mais para lá do que para cá - e não houve mariquices destas. Claro que podem dizer Pois, mas não era esta gripe, era da outra. E então? Seguindo a mentalidade que agora existe, naquelas alturas eu era praticamente um gigantesco vírus com pernas, pronta a contaminar toda a turma que estava fechada naquela sala comigo.
Somos de extremos. Num ano está metade de uma turma doente, a tossir e com o nariz a pingar. No ano seguinte, um aluno espirra e aparecem logo as funcionárias, as máscaras, os desinfectantes e a sala de isolamento. Não sei porquê, mas não me parece que este pânico todo vá ajudar em alguma coisa.
A não ser que o objectivo seja deixar toda a gente hipocondríaca.

Eu vou!
I Gotta Feeling - Black Eyed Peas

Estava eu ontem descansada da vida a preguiçar no sofá, quando apanho no ar uma declaração que Paulo Portas estava a fazer durante o seu discurso na apresentação do programa do Governo.
Tenho pena de não a ter escrito na hora, por isso não a posso reproduzir textualmente... mas o que o líder do CDS disse foi mais ou menos isto: Só os que são ricos podem escolher a escola dos filhos, porque têm capacidade de pagar estabelecimentos privados. Os outros, que são pobrezinhos, têm de se contentar com pôr os filhos a estudar em escolas sem condições de espécie alguma, com um ensino de má qualidade.
Digo sem rodeios: ouvir isto indignou-me. Porque estudei em escolas públicas toda a minha vida, nunca me caiu nenhum tecto sobre a cabeça, e também não foi por andar nas públicas que aprendi menos que os meninos das privadas. E ainda hoje dou graças a todos os santinhos por ter tido os professores que tive - não podia ter pedido melhor.
Outras pessoas farão outras interpretações, mas, para mim, esta declaração de Paulo Portas foi extremamente redutora. Fala como se quem não tem oportunidade de frequentar uma escola privada estivesse à partida condenado a sofrer torturas nesse horrível mundo que é o do ensino público. Como se todas a escolas públicas fossem locais decadentes, onde só ensinam professores de segunda.
Não é assim, não se pode ver o ensino assim. Não se pode dizer que quem não consegue pagar colégios privados não tem verdadeiro direito de escolha. Se há escolas miseráveis neste país? Pois decerto que há. Mas há escolas óptimas, com boas condições - públicas - com professores que dão o seu melhor todos os dias. E falar delas - das públicas - como se fossem todas "farinha do mesmo saco" é, simplesmente, uma pura estupidez.

Já está lido - bem, talvez o termo mais correcto seja devorado. Esperava um livro daqueles que nos absorvem em cada página, e não fiquei desiludida.
Aqui fica a minha opinião, tal como consta no Mundos de Papel:
Como sempre acontece com os livros de Dan Brown, este foi um daqueles que se leu num fôlego, com o ritmo do enredo a prender-me completamente em cada página.
Muito se fala de Dan Brown: uns amam, outros odeiam... para mim, é um autor capaz de "produzir" boa literatura, que serve o propósito do entretenimento ao mesmo tempo que espicaça a curiosidade dos leitores acerca de vários temas históricos e científicos.
Este é um livro que não foge ao estilo de Dan Brown, que aposta num ritmo alucinante para contar a sua história, quase como se estivéssemos imersos num filme de acção. É uma das características da sua escrita que mais me agrada, já que as páginas correm a uma velocidade impressionante pelos meus dedos de cada vez que pego numa destas obras. São fáceis de ler, sem serem pobres em termos de enredo.
Há, no entanto, um detalhe, que me parece também já fazer parte do estilo do autor, que pode vir a retirar valor aos seus livros, se continuar a verificar-se. Já é possível distinguir um padrão na forma como Dan Brown constrói os seus enredos, especialmente nos três livros que constituem a "série Robert Langdon": contam sempre com a presença de uma personagem violenta, talvez um pouco louca - o mau da fita, vá - que tem ideais bem demarcados que a levam a cometer os actos atrozes que dão o mote a grande parte da história. E Langdon nunca está mal acompanhado: tem sempre ao seu lado uma mulher bonita e inteligente para o ajudar a desvendar o mistério. Penso que esta tendência poderá vir a tornar os livros de Dan Brown, sempre tão interessantes, em obras um pouco repetitivas e até previsíveis. Afinal, quando existe um padrão, é sempre possível descobrir, aqui e ali, o que virá a seguir. Esperemos que o escritor não caia no erro de repetir esta estrutura de enredo nos próximos livros.

Como eu adoro o serviço de pré-reserva da Bertrand.
(Lamenta-se apenas que não seja, à imagem da edição original, um livro de capa dura!)
Vou ali isolar-me durante umas horas do resto do mundo e já volto.

... e com toda esta polémica que gira em torno de Saramago e do seu novo livro, fiquei com ainda mais vontade de o ler logo que possa.
Penso que anda toda a gente com os ânimos demasiado exaltados. Dizem que Saramago, só por ser Saramago, não deveria achar-se no direito de dizer o que disse. Ridículo. A verdade é que qualquer pessoa, ilustre ou não, Prémio Nobel ou não, seja quem for, tem o direito à liberdade de expressão. E há imensa gente que partilha deste posto de vista que tem gerado tanta polémica.
E entretanto já se discute o tema há uns bons dias, com direito a exigência de que o autor renuncie à nacionalidade portuguesa. Não há mesmo mais nada que fazer.
Faleceu o primeiro doente português vítima da gripe A.
Pronto, estamos feitos. É agora que entra tudo em paranóia.

(imagem daqui)

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2 de Junho de 2011
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