2011 teve tanta coisa boa que merece um post bem ao género "revista do ano", algo que diz em 2008 mas que nunca mais repeti. Por isso, e porque sempre conta como um post para quebrar o silêncio que vem ocupando este blog, aqui ficam os melhores momentos e descobertas destes meus 12 meses.
Foi Assim Que Aconteceu (How I Met You Mother)
Parece impossível só ter descoberto este ano uma série que já existe desde 2005, mas estamos sempre a ter boas surpresas. A FOX decidiu estrear esta comédia, muito ao estilo dos velhinhos Friends, há poucas semanas, e eu, que calhei em estar esticada no sofá mesmo quando começou o primeiro episódio, fiquei instantaneamente viciada. Já não passo sem as parvoíces da Robin e do Ted, da Lily e do Marshall, e sobretudo do Barney - que, convenhamos, na vida real seria o tipo de homem de que se foge a sete pés, mas na ficção acaba por ser a personagem favorita de toda a gente. It's legend - wait for it... - dairy!
Harry Potter: Os Talismãs da Morte (parte II)
A minha relação com os filmes da saga Harry Potter é de amor-ódio; fiquei sempre com a sensação que nunca fizeram justiça à qualidade dos livros, o que, considerando que foi pelo cinema que muita gente ficou a conhecer esta história, é bastante triste. No entanto, o último filme veio mudar um pouco a minha opinião; adorei a forma como a história foi adaptada e penso que não podia ter terminado melhor esta saga que marcou tanta gente.
Bons Augúrios (Good Omens)
Trocando o grande e pequeno ecrã pelos livros, este foi sem dúvida o melhor que li este ano. Resultado de um parceria entre Terry Pratchett e Neil Gaiman, conta a história do fim do mundo e da anunciada batalha entre Céu e Inferno de uma forma hilariante. Cheguei a este livro através do fantástico Bookcrossing, que já me deu a conhecer tantas obras e autores a que provavelmente nunca chegaria de outra forma. É um livro simplesmente fantástico, com personagens muito bem construídas e um enredo delicioso. Quando puderem, leiam - e a versão original é sempre melhor.
Alegría by Cirque du Soleil
Ainda no mundo do entretenimento, este 2011 valeu só pela oportunidade que tive de finalmente concretizar um desejo de há já alguns anos: o de ver um espectáculo do Cirque du Soleil. Depois de resistir às visitas que esta companhia já fez a Portugal, desta feita o espectáculo visistante foi Alegría, e eu não podia simplesmente perder uma das produções mais famosas do Cirque. Fechei os olhos, perdi o amor ao dinheirinho, e lá fui parar ao Pavilhão Atlântico. É algo completamente surreal, em que somos transportados para um mundo diferente; tudo funciona e se conjuga na perfeição para criar uma experiência única em que duas horas passam a correr. Toda a gente deveria poder ir, pelo menos uma vez na vida. Eu adorei e agora criou-se um problema maior, porque fiquei completamente viciada e já ficou a vontade de ir ver o próximo espectáculo que cá venha de visita. É melhor começar a fazer uma vaquinha.
Dolce Gusto
Outro desejo concretizado este ano! Já há muito que andava cheia de vontade de ter uma destas máquinas maravilha para aquecer os dias de Inverno, e este ano lá se proporcionou. Cá estou, muito bem acompanhada por uma edição criada por Agatha Ruiz de la Prada, fofinha que só ela, e que tira uns Chococinos que são de beber e chorar por mais.
e.l.f.
Para quem não conhece, esta é uma marca de cosméticos dos Estados Unidos que se foi espalhando pela Europa e que tem feito sucesso. Tem preços fantásticos - os artigos mais baratos começam em um euro, e os mais caros dificilmente ultrapassam o valor de um único cosmético das marcas mais famosas - e foi um encontro perfeito que me permitiu começar a conhecer o mundo fantástico e por vezes desastroso da maquilhagem. Coisas de gaja, não liguem.
Handmade with Love
Ainda no campo das marcas, não podia deixar de destacar outra descoberta fantástica. Handmade with Love é o projecto da Marisa, uma blogger que se dedica, como tantas outras, ao mundo da bijuteria; no entanto, as suas peças são verdadeiramente únicas e especiais, e a sua simpatia é inigualável. Tornou-se na minha fonte quase exclusiva de acessórios, e vale a pena fazer uma visita à sua página; prometo que não vão ficar indiferentes.
A carta de condução
Uma mudança de tópico radical, é verdade, mas esta é uma conquista que tem de ser aqui referida. Depois de tanto engonhar, e com a licença a acabar em Fevereiro, lá me decidi a despachar este assunto de vez. Vieram as aulas de condução, em que Pearl Jam e Radiohead serviam de banda sonora às minhas asneiras, e que vão deixar boas memórias. A carta em si, essa, é fresquinha, tirada na quinta-feira, sob a avaliação de um examinador que era tudo menos fofinho, mas que até fez um exame simpático. Fomos duas, passamos as duas, ninguém atropelou ninguém, e agora é ter cuidado, que anda mais uma maluca na estrada.
Muito mais podia ser referido, mas estes são mesmo os grandes pontos deste ano, ou pelo menos os que vêm à memória. E agora, venha 2012!
Ultimamente o que não falta são vídeos que, qual formigas, infestam o Facebook e que nos presenteiam com inúmeras pérolas de sabedoria made in Casa dos Segredos. E todo o país se ri. Mas a verdade é que não é só na Venda do Pinheiro que mora a ignorância.
A Sábado resolveu sair à rua e aplicar a 100 alunos universitários de Lisboa um teste básico de cultura geral, como se pode ver no vídeo. Ora, muitas críticas podem ser feitas a este "trabalho de campo": o facto de serem poucas as pessoas testadas (e menos ainda as que surgem no vídeo), a restrição a uma só cidade do País... O próprio teste contém erros básicos (água não tem símbolo químico... antes fórmula química) e é, obviamente, editado para servir os objectivos do artigo publicado. No entanto, por muito que se critique, é impossível não ficar chocado com as respostas dadas pelos futuros "senhores doutores". Dêem uma espreitadela.
É de se ficar de queixo caído. Nem sei o que me dói mais, se é a tamanha ignorância que existe face a questões tão simples como as que são aqui feitas, se a indiferença dos inquiridos para com essa ignorância.
Ser estudante é quase um título de prestígio neste país. É uma coisa que se diz com orgulho, o meu filho estuda, a minha filha entrou para Medicina, porque é como que um sinónimo de sabedoria, inteligência, de alguém que sabe das coisas e compreende o mundo em que vive. Diariamente, milhares de famílias fazem os maiores sacrifícios para que os seus jovens possam estudar, na esperança de que um dia estes alcancem uma vida boa e consigam também melhorar a daqueles que estão em seu redor. Porque os jovens são o futuro, as mentes brilhantes de amanhã.
Certo?
Pois. Parece que não.
Pertencemos a uma geração cheia de oportunidades e recursos. Temos, literalmente, o conhecimento na ponta dos dedos, se assim o quisermos. E o conhecimento é a meta que tentamos alcançar com os nossos estudos, é a principal componente da nossa "carreira" enquanto estudantes.
Ou pelo menos deveria ser. Porque, afinal, parece que muito boa gente prefere passar por esta fase tão importante com palas nos olhos, como os burros.
Muitos jovens de hoje encaram a aprendizagem como um almoço tipo buffet em que se escolhe apenas o que nos interessa, ao invés de experimentar um pouco de tudo. Entram para o ensino superior, escolhem a sua área de especialidade, e de um momento para o outro, é como se o resto do mundo não existisse, como se o resto do conhecimento não importasse.
O vídeo suscitou, é claro, opiniões indignadas e incrédulas por parte de muitas pessoas. Mas, curiosamente, grande parte dessa indignação e incredulidade foi dirigida não às respostas peregrinas dos estudantes, mas à Sábado. Porque o vídeo não representa a realidade. Porque não somos todos farinha do mesmo saco. Porque não saber responder a umas perguntas de cultura geral não significa que aquele jovem será mau na sua área. Porque, porque, porque...
A verdade é que ver estas coisas incomoda. A mim, como estudante universitária, incomoda profudamente. E as pessoas tentam tapar o Sol com a peneira, custa acreditar que tanto dinheiro investido na Educação resulta neste tipo de formação deficiente. Sim, a amostra pode ser pequena, pode não representar todo o País, e é verdade, nem todos os estudantes são assim. Mas o facto de haver um só que mostre tamanha ignorância já é preocupante.
Estas são as pessoas que, amanhã, ocuparão os cargos de liderança deste país. Não podemos simplesmente rir e descartar este tipo de coisa como se não fosse grave. Porque é.
Será que um médico precisa mesmo de saber quem pintou a Mona Lisa para ser um bom profissional? Não. Um psicólogo tem que saber quem escreveu Os Maias para tratar bem os seus pacientes? Nem por isso. Não podemos saber tudo. Mas há factos básicos, coisas que todos deveríamos saber. Somos a suposta espécie de inteligência superior, criámos e descobrimos tanta coisa fascinante, e custa ver que agora não nos interessamos pelos nossos próprios feitos, pelas figuras que se destacaram de entre nós, pela beleza que este mundo encerra.
E pior do que não saber, é o não querer saber. E o que muitos jovens deste vídeo demonstram é uma imensa falta de desejo de saber. Ah, isso não é comigo. Não é com eles a política, nem a religião, nem a literatura, nem a cultura... E assim somos, um país de indiferentes, em que tudo acontece e ninguém se incomoda, em que nos lixam e ninguém se revolta, porque afinal, nem percebemos muito disso. E se não percebemos, não queremos perceber, nem queremos saber. Saber não é connosco.
Este (des)Governo que temos ainda me vai causar um ataque cardíaco antes do Natal. Está uma pessoa descansadinha a almoçar quando no meio das notícias do dia, lá aparece esta, sobre o fim dos descontos nos passes para estudantes. Quase que me engasgava com uma batata frita.
Basicamente, os descontos de 50% a que estudantes e idosos tinham direito nos passes para transportes públicos vão deixar de existir. No meu caso, significa passar a pagar €80 só em transportes todos os meses, isto, é claro, se não aumentarem as tarifas em 2012, o que me parece improvável.
Posto isto, é cada vez mais notório que estamos a navegar num barco prestes a afundar, e daqui a nada já nem os submarinos do Sr. Portas nos valem. Tudo sobe neste país: gás, luz, água, IVA, ... Só faltava mais esta para tornar o panorama perfeito.
Como é que querem incentivar os jovens a estudar com este tipo de medidas? Já temos que arcar com os custos das propinas, que não são nada meigos; os cortes nas bolsas cada vez são maiores... e agora até os transportes vão sofrer um aumento. Não acham, senhores do Governo, que já pagamos que chegue para tentar tirar os nossos cursos? É que sai mais barato ficar em casa a olhar para o tecto.
Não sei qual é a fantasia doentia em que os nossos líderes (?) vivem, mas esta medida não vai trazer nada de bom. Há locais onde não há outra alternativa senão o autocarro ou o comboio para transportar os estudantes até às escolas. Muitas famílias vão deixar de poder sustentar os estudos dos seus filhos - e não estamos só a falar de jovens, há crianças que usufruem destes descontos. Como é que se explica a um menino que não pode ir para a Primária porque os pais não podem pagar o transporte?
As pessoas só conseguem apertar o cinto até um certo ponto. Está a tornar-se difícil sustentar tantos cortes e sacrifícios.
É ridículo. Tornou-se claro há já muito tempo que não se avizinhavam tempos fáceis (excepto, talvez, para o Sr. Passos Coelho, que depôs alegremente o último Governo, convencidíssimo de ser a encarnação de D. Afonso Henriques, o Salvador da Pátria), mas começa a tornar-se demais. Quando começa a falhar o respeito por direitos básicos, mencionados na Constituição, como o é o direito à educação... é sinal de que as coisas estão a ficar feias.
Já que querem cortar nos transportes, aceitam uma sugestãozinha, senhores do Governo? Acabem com essa de ir para o "trabalho" em Mercedes, Porsches e outros que tais... e já que estão nessa onda, retirem lá as ajudas de custo aos juízes que vivem a 10 minutos do tribunal... e depois nós conversamos.
Credo, tanta teia de aranha. Deixem-me só ir ali buscar o espanador e já trato do assunto.
É verdade, este blog tem estado um bocadinho abandonado. Culpa das férias de Verão, que não dão vontade de fazer nada, e do início das aulas, que não deixam tempo para fazer nada. É vê-los, todos contentes, cinco professores a despejar verdadeiros camiões TIR cheiinhos de trabalho logo nas primeiras aulas. Sádicos.
Este ainda não será o post da reentré, que é Domingo e a inspiração foi ali dar uma volta. Mas enfim, queria deixar-vos sossegados, estou viva e de boa saúde, e com intenção de voltar aos posts regulares não tarda nada. Espero ainda ter aí quem me queira ler.
Até já.
Isto já começa a ser abuso, a sério. Tanta simpatia deixa-me assoberbada - pela sexta vez, o Montanha Russa está em destaque nos Blogs do Sapo :)
Mais uma vez, muito obrigada à excelente equipa por acharem este humilde estaminé digno de nota!
Já todos andamos cheios de ouvir falar, a toda a hora, sobre o novo imposto que vai ser aplicado ao subsídio de Natal. No meu caso, ando particularmente farta de ver que as notícias sobre este assunto continuam a cometer um erro crasso e que deixa as pessoas com uma ideia que não corresponde à verdade.
As reportagens, comentários e análises a esta nova medida de austeridade multiplicam-se, numa tentativa de dar a conhecer os efeitos que vai ter sobre a vida de cada um. E em todas se diz o mesmo: o subsídio de Natal vai sofrer um corte de 50%. Asneira da grossa.
O 13º mês não vai ser reduzido em 50%. As pessoas não vão passar a receber metade. É que basta pensar durante dois segundos sobre o assunto para se concluir que seria ridículo se assim fosse. Mesmo no caso de um Governo em que, pessoalmente, não deposito muita fé, era um abuso de proporções gigantescas.
Senão vejamos o que aconteceria caso o imposto tivesse esse peso de 50%. Já se sabe que quem recebe o salário mínimo, €485, não será alvo de cortes. Mas ao pobre coitado que tem a sorte de ganhar €490, pimba, lá lhe levavam metade, deixando-o com €245. Parece um pouco injusto, não?
É de facto injusto e não tem sentido; é por isso mesmo que é preciso esclarecer que, e volto a repetir, as pessoas não vão passar a receber metade. O que acontece é o seguinte (até eu, um completo zero a Matemática, consigo perceber estas contas): o "subsídio base" é o salário mínimo, €485. Tudo o que seja extra a esse valor sofre um corte de 50%. Vejamos um exemplo: um subsídio de Natal de €600; excede o salário mínimo em €115, certo? Então, são esses €115 euros que são alvo do imposto, passando para metade, €57,50; em vez de receber os €600, a pessoa em causa passa a receber €542,5, e não €300, que corresponderiam, aí sim, a metade da totalidade do subsídio. Em termos de percentagem do subsídio total, neste caso, o corte nem sequer alcança os 10%.
São contas fáceis de fazer e de perceber, mas todos os jornalistas, comentadores e pseudo-especialistas que comentam estes assuntos, especialmente os que o fazem nos telejornais - o pessoal da imprensa tem acertado e explicado este assunto de forma correcta - insistem em dizer que o subsídio vai levar um corte de 50%. O Português é realmente traiçoeiro, mas não acredito que não haja uma única alma que não tenha parado para pensar e chegado à conclusão Espera lá, nós não andamos a falar disto da melhor forma. E estamos a falar de pessoas letradas, com cursos superiores, que têm que trabalhar com as palavras numa boa parte da sua vida profissional. Não se pode deixar que isto aconteça.
É preciso ter cuidado com estas coisas. Nos tempos que correm, as pessoas andam com os nervos em franja, estão a ver a vida a andar para trás e este país a afundar-se cada vez mais... para quê pintar um quadro pior do que a realidade? Vai chegar o dia em que finalmente nos decidiremos a sair à rua e mostrar que isto não pode continuar assim... com esta falta de cuidado na exposição dos assuntos, vamos chegar a esse dia a reclamar sobre coisas que nem sequer percebemos, a exigir que se acabe com medidas que na verdade não existem, que não são como nos têm vindo a dizer. Por isso, Senhores Jornalistas, vejam lá se têm mais cuidado a dar as notícias. Não vale a pena complicar o que já é difícil de aceitar.

Por esta hora já está mais que confirmado... morreu Angélico Vieira. Rapaz novo, bonito, tinha uma vida ainda pela frente. Mas já não são as mortes que este acidente estúpido provocou que me incomodam mais.
O que me revolta é que poucas pessoas vão aprender alguma coisa com isto. Morreram duas pessoas, está uma rapariga atirada numa cama de hospital ainda em perigo... que pena, tão novos, não mereciam... é o que toda a gente diz e é o normal. Ficamos todos muito chocados, percebemos que as coisas acontecem e não avisam. Durante um par de dias, as pessoas até podem ter mais cuidado a andar de carro, podem lembrar-se mais vezes de verificar se têm o cinto... mas depois vêm outras notícias, de outras desgraças noutras partes do mundo. O circo mediático em volta deste acidente em particular é desmontado. E as pessoas esquecem-se.
Quase ninguém vai olhar para isto como uma lição. Custa pensar nos pequenos detalhes que podiam ter dado um final diferente a este caso, porque já não trazem de volta quem morreu, mas esses detalhes estão lá. 2 passageiros daquele carro não levavam o cinto posto. Com um BMW, as 3h30 na manhã e na auto-estrada, é quase certo que não se ficaram pelos 120 km/h. Mas ninguém se vai lembrar disso.
Amanhã, daqui a uma semana, seja quando for, vai continuar a haver gente nova, gente da minha idade, a conduzir nas ruelas da terriola como se estivesse na auto-estrada e na auto-estrada como se estivesse numa pista de Formula-1. Vão sair à noite, beber uns copos... quando regressarem a casa as ruas até estão desertas... e abusam. Abusam e não se lembram do pneu que pode rebentar, do cão que pode aparecer no meio da estrada vindo sabe-se lá de onde, do óleo que torna o piso escorregadio, do álcool ou do sono que nunca deram a ninguém nem visão de Super-Homem, nem os seus reflexos.
Somos a geração da informação, podemos ter o mundo na ponta dos dedos, mas cada vez somos mais ignorantes. Está na hora de aprendermos. Tomem este caso como exemplo e aprendam, não se limitem aos chavões que se dizem nestas alturas. Deixem-se de merdas, de conduzir perdidos de bêbados, de ir até velocidades loucas, de ultrapassar quando vem outro carro de frente porque é tão fixe escapar de um acidente por uma unha negra. Ah, e tal, já fiz isto muitas vezes e nunca bati. Pois. Diz-se muitas vezes que há uma primeira vez para tudo... nunca ouvi dizer que essa primeira vez não pode ser também a última.
Se não for por vocês e pelos vossos sonhos, façam-nos por quem vos ama. Façam-no pelos pais, pelos amigos, por quem quer que seja... não queiram que um dia tenham que vos ver numa cama de hospital porque fizeram uma estupidez qualquer. Não os queiram pôr a pensar E se...
O Sr. Passos Coelho vai coligar-se com o Sr. Portas para formar Governo. O Sr. Passos Coelho é um completo ignorante no que toca a liderar um país, e por isso tem medinho de assumir os votos que o eleitorado lhe quis dar e ir para o Governo com os deputados que conseguiu eleger. O Sr. Passos Coelho não se quer meter nessas aventuras de governar sem maioria absoluta, porque nunca se sabe, quando se dá por ela a Oposição acha as medidas que o Governo quer aprovar demasiado radicais, e vai daí chumba tudo e obriga a que se dissolva o Parlamento só porque é giro. O Sr. Passos Coelho não tem coragem de assumir responsabilidades, porque já sabe que daqui a uns meses vai ter as pessoas que o elegeram a gritar Volta, Sócrates, estás perdoado! Espero bem estar enganada... mas cheira-me que é agora que isto vai ao fundo.
Como já toda a gente deve saber - tem sido um assunto intensivamente explorado em todos os telejornais - foi recentemente divulgado um vídeo que mostra um recruta dos Fuzileiros a ser agredido por colegas. É certo e sabido que tal coisa iria ser fonte de muita polémica, mas, a meu ver, a coisa já está a ser exagerada.
O tema tem sido comentado até a exaustão por muita gente. No entanto, há que ter em conta uma coisa: a maioria das pessoas que vêm comentar este assunto fala sem conhecimento de causa, ou seja, sem saber o que são os Fuzileiros e o que por lá se faz.
Obviamente que eu não sou excepção a regra - nunca andei nos Fuzileiros, não pretendo ir à tropa. Mas tenho em casa um bom exemplo, o de alguém que passou por lá: o meu pai.
O meu pai foi Fuzileiro ainda o serviço militar era obrigatório. Tinha um preferência especial por essa força especial, era para lá que queria ir. Porém, na altura não se escolhia o ramo das Forças Armadas onde se iriam cumprir os dois anos que a lei estabelecia. Enquanto realizava os exames médicos que determinavam se estava apto para cumprir o seu dever, o meu pai comentou com o médico que gostava de ficar nos Fuzileiros. Coincidência ou simpatia desse médico, a verdade é que, quando foi chamado, foi lá que foi colocado.
O meu pai passou por muito nos Fuzileiros. Pistas de lodo, descer o rio Sado ao longo de 40km durante a noite, caminhadas em que eram percorridas distâncias aparentemente impossíveis com quilos de equipamento às costas... Passou por muito. E cada vez que fala nos Fuzileiros, nota-se-lhe na voz e na cara que aqueles dois anos foram das melhores experiências da sua vida.
Tudo isto para dizer que é preciso ter comedimento a comentar situações das quais não se conhece o contexto. Nos Fuzileiros preparam-se homens para a possibilidade de enfrentar situações extremamente perigosas. Cultiva-se o espírito de sacrifício, a lealdade, a coragem. E, acima de tudo, cultiva-se o espírito de equipa. Quando um faz asneira, sobretudo durante a recruta, as consequências recaem sobre todos.
As pessoas não são coerentes. Querem alguém que as defenda dos vilões deste mundo, alguém que vá acabar com os Bin Ladens e apagar do mapa os traficantes de droga, mas não querem aceitar o que implica preparar esses "alguém". Como é que acham que estes homens são treinados? Com paninhos quentes e gentileza? Não pode ser assim. Num mundo ideal, não seriam precisos Fuzileiros. Infelizmente, estamos longe de viver num mundo ideal.
Não estou a defender o que se vê naquele vídeo. Mas é preciso ter um pouco de calma na análise que se faz. Aquela situação não teve lugar no mundo "de todos os dias". Os Fuzileiros não são um parque de diversões; são, sim, caracterizados por condições muito duras e muito particulares. Acredito que o que aconteceu é mais uma brincadeira e uma tentativa de "dar uma lição" a um recruta que não era dos mais exemplares. Além disso, a situação foi analisada e os responsáveis foram punidos pelos seus oficiais, como seria de esperar num corpo de militares que se pauta pela integridade e disciplina.
O meu pai passou por muito nos Fuzileiros e saiu de lá um homem diferente, um homem melhor. E agora fica revoltado por ver a forma como esta situação tem sido tratada. A imagem que passa é a de que nos Fuzileiros se transformam criancinhas inocentes em ignorantes cruéis. Não é assim.
Esta situação, sinceramente, não me choca. Ver um bando de idiotas a espancar uma miúda em plena luz dos dia por motivos que nem se compreendem... isso sim, isso preocupa-me. É isso que é importante evitar.
Estamos a três dias das eleições e ainda não faço ideia de em quem vou votar. Sei que vou, não garanto é que o boletim não vá em branco. Poderia dizer que tal indecisão se deve à preguiça de quem já anda a rezar para que o fim das aulas chegue depressa... mas acho que é mesmo porque não há um candidato que se aproveite.
Estou cheia de ver debates e telejornais que mais parecem dedicar todo o seu tempo a dar mais um bocadinho de tempo de antena aos partidos. Estou farta de ver todas essas coisas e concluir que os nossos políticos são piores que meninos da primária, que discutem por tudo e por nada, amuam sem razão nenhuma, e só olham para o próprio umbigo.
Convenhamos, não temos muito por onde escolher. De um lado, um Primeiro-Ministro que já viu melhores dias. Do outro, uma oposição que minou o Governo sem pensar duas vezes, só porque é giro irmos a eleições mais cedo. Uma oposição cuja figura de destaque é um idiota chapado que só sabe falar de assuntos que não interessam absolutamente nada ao País, pelo menos não na situação em que nos encontramos actualmente. Novo referendo sobre o aborto, a sério? De onde é que isso veio? É uma estratégia para ganhar os votos das velhotas? E para quê dizer que o Governo vai ter menos ministros se o PSD tiver maioria absoluta, quando é óbvio que ninguém vai ter maioria absoluta? Dá muito jeito apoiar-se nos números das sondagens, mas é só quando interessa.
A verdade é que, venha quem vier, estamos numa situação má da qual não se prevê uma saída breve. Ninguém vem agora fazer milagres e acabar com o desemprego, restaurar a economia e pôr tudo nos carris com um estalar de dedos. Cansa ouvir este bando a atirar promessas para o ar que não têm sentido. Assim não dá gosto ir votar.

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Até: 2.06.2011
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Parece Que o Destino nos Quebrou - Tiago Bettencourt & Mantha
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